preservou-se

Sei como é não ser notado, sei como é estar só, até que possa saber que nem todos que estão contigo podem ser vistos, e aqueles que vemos não sabemos até que ponto podemos confiar para mostrar algum amor. Sei como é sorrir mesmo quando seus ossos são como bolsas repletas de dores. Sei como é olhar ao redor e enxergar um mundo frio feito de parasitas com diversos tipos de faces. Sei como é viver com a pressão da família, da sociedade e da elite sobre a mesma. Sei como é ser apunhalado nas costas ao receber um abraço. Sei como é não ter maturidade o suficiente para se perdoar pela falta da mesma em muitos casos. Sei como é sentir-se descartável. Conheço o fundo do poço do amor, do ódio, da frustração e aqueles que seguem na mesma cadeia da angústia. Sei como é só não querer dizer, sentir, pensar, estar, ser, ficar, ir, estar no labirinto que até o mais sábio e determinado se perde, e logo conhece o cansaço, também o enfado precoce que domina suas escolhas e torna suas certezas em dúvidas e tornam suas dúvidas a cruz e a espada. Sei como é não saber como o outro se sente e acabar por feri-lo, assim como quando quanto mais se sabe e cuida de alguém mais você se fere. Sei como é ser perseguido, detestado, atacado, mas também sei como é perseguir, detestar e atacar. Sei como é querer ou sentir a vontade de chorar e não conseguir, ficando entalado, asfixiado pelo silêncio ao redor e soterrado pelos ruídos da mente. Conheço a ânsia de matar, e o medo de morrer. Sei como é o vazio e suas variadas formas de tomar conta de todas as áreas da sua vida. Eu sei que não sei muitas coisas que você sabe e que pode me fazer saber que tudo que eu sei não passa de uma gota d'água no oceano. Eu sei a dor que causa poder alcançar certas coisas com seus olhos mas não com as suas mãos, mas também sei da satisfação de poder tocar o que por muito tempo apenas se podia contemplar à distância. Conheço o orgulho da independência que se mescla com o medo de ter que lidar com tantas responsabilidades e com um caminho que aparentemente parece ser apenas um mas te leva à realidades paralelas. Sei como é ser intenso numa proporção complexa de se conseguir acompanhar e sentir-se um submundo inexplorável. Sei como é mendigar amor, atenção e tudo quanto se pode mas não deve ser mendigado. Sei como é perder a fé, o ânimo, a esperança. Sei como é pensar que tem quem se importe quando na realidade, se não você mesmo, ninguém se importa de verdade, e tudo não passa de um teatro patético. Sei como é dar tudo de si em um relacionamento e acabar percebendo que esteve se jogando no lixo, se não em uma profunda cova cheia de vermes à espera do que resta. Sei como é ser escravo das minhas próprias emoções e do meu próprio instinto, assim como sei como é ser manipulado por deixar minhas emoções nas mãos de segundos ou terceiros. Sei como é ter medo de se fechar tanto à ponto de perder contato com a realidade. Sei como é coisas que você não faz idéia e que um dia nunca imaginei que eu saberia. Então vamos, sente-se, conte-me o que você sabe ?.