myanihilation

nove meses

o tempo muda e muda você

é quem sua alma é e jamais

poderei transformar isso

o frio da minha cidade é

decisivo para a introspecção

o futuro fora da sua mão

redondo sob o globo ocular

- janela que não fecha

gotículas vertendo da cortina

você se enrola na cama

uma largarta chuvosa, tosca

imbecil, o frio te acerta

e meus pés são como folhas

lustrando o piso de terra do

nosso lar, distante de onde

crescemos quando ainda

éramos inocentes sobre os

nossos sentimentos afoitos

o balanço do berço anuncia

a vinda do nosso filho

e nossas barrigas não crescem

nem murcham 9 meses depois

como quando eu cabia em sua mão

e o verão cultivava seu eu

e quando a relva ainda era selvagem

sobre sua personalidade

pois esse é o homem que

está deitado ao meu lado agora:

mutável como o clima

e nas atitudes, estações do ano

já teu toque, perene.