O medo reside em meu peito e há meses não sai pra passear. Ele também está em isolamento, e estado de alerta não dorme, não descansa, não da trégua. Quando acordo e abro os olhos, aqui está ele. Quando toco os pés no chão, de novo : presente. Ao abrir a porta do quarto, ele vem me remoendo, e se mostra através dos olhos que se refletem no espelho. Ele está no atraso, na porta trancada e na dificuldade pra descer as escadas. Medo de respirar, medo de perder, medo de tocar, medo de viver , medo de não sobrevier. Mais de 192 mil razões para temer. Mas e daí ? Nada disso importa, a vida tem que seguir.
Meu espinho cravado não alma.