é que é tudo tão frágil, sabe? ao mesmo tempo que é tão rígido, tão inalcançável, tão seco e oco. e nós agimos ridiculamente como um conjunto de icebergs, como se nada fosse capaz de nos atravessar. quando, na verdade, tudo é tão pouco, tão pequeno, tão vulnerável. não só nos penetra, como permanece perfurando camada por camada, passando pela pele, pelo músculo, veias e artérias, chega ao osso; cada célula que nos forma sangra e irrita e arde até que encontremos uma maneira de nos curar. ou até que aprendamos a conviver com a agonia e estática do ser e deixar de sê-lo, até que comecemos a tirar do desastre do deixar de ser para tornar-se novamente o tanto que ele nos arranca.
fingir não sentir e impedir o desabar nos rouba, mas aceitar a destruição e renascer, nos devolve.
porque é tudo tão indefeso que nos faz criar armaduras antes mesmo de haver uma ameaça. é tudo tão suspeito que as únicas verdades que saem de nós são mentiras; fica tão simples contar quanto é para crer, porque é mais bonito, porque o real líquida, porque o sincero assusta, porque fomos criados para cuspir o cru. aprendemos a lutar em momentos de paz. e travamos guerra enquanto ainda desejamos que histórias nos sejam contadas antes de dormir. e nós temos armas que antecipam o primeiro amor, e nós atiramos e ferimos sem sabermos que o outro sequer tinha a intenção de nos atingir. e interrompemos o riso, cortamos raízes e impedimos que chegue até nós o acalento que mais parece fábula; nos transformam em nosso próprio obstáculo, nos colocam em um caminho que não nos pertence, nos dão um mapa que nem tem nosso nome. aceitamos a morte - nossa e, principalmente dos outros - antes mesmo dos pássaros pararem de cantar, do sol nascer de novo, de conhecermos quem nos abrigue, de acolhermos nossa essência, de percebermos que somos todos feitos de vidro vestindo ferro
antes eles do que nós, e assim
vamos sobrevivendo. com a impressão de liberdade, com a mala de opressão, com os lábios que se movem mas não dizem nada, com o coração que sente mas não bate, com a mente que pesa por tanta atuação, com as crenças questionavelmente inquestionáveis, com o silêncio que nos empurram garganta adentro com o peito carregado cuja bala viajou o mundo inteiro
cujo armamento nos foi dado
o alvo apontado
o gatilho puxado
para no fim
voltar ao ponto de partida e acertar quem nem sabia porquê estava atirando. mas foi mandado. ensinado a obedecer calado quem aprendeu o mesmo porque também segue ordens e padrões que não entende. e não pensou. sentiu medo mas engoliu para não externar, para que - Deus o livre - não fracassasse por ser
é que é tudo tão inatingível, tão protegido, tão ignorado, que se torna fácil lacerar. é que são tantas faixas para se encobrir, que todo e qualquer corte rasga por completo
é fatal.
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outro--eu disse:
fico feliz que meu sofrimento te divirta amg
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silenciadu disse:
@outro–eu te fazer chorar com meus textos é a minha felicidade amg
outro--eu disse:
vou chorar ate dormir
outro--eu disse:
obrigada por me destruir
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sozinhocominsoni4 curtiu isto segredosdosilencio reblogou este post de fumantedealmas
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silenciadu postou isso é que é tudo tão frágil, sabe? ao mesmo tempo que é tão rígido, tão inalcançável, tão seco e oco. e nós agimos...
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